Maputo

11 July 2019

Secretary-General’s remarks during joint press encounter with the President of Mozambique [scroll down for English translation]

Senhoras e senhores jornalistas, muito obrigado pela vossa presença, pela vossa atenção.
 
Para mim, visitar Moçambique é uma questão do coração.
 
Eu estive em Moçambique no exercício de todas as funções oficiais que já tive.
 
Estive como primeiro-ministro de Portugal, estive como presidente da Internacional Socialista, estive como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados e estou agora como Secretário-Geral das Nações Unidas.
 
E sempre fui recebido com uma enorme amizade, um enorme calor humano, sempre me senti em casa, sempre me senti entre amigos, diria mesmo, entre irmãos.
 
E esta visita tem um caráter muito particular, porque é uma visita de expressão clara de solidariedade. Solidariedade minha, mas sobretudo solidariedade das Nações Unidas, com Moçambique, com o povo moçambicano, com o seu governo, que atravessaram uma situação extremamente difícil com os dois ciclones que tiveram um efeito devastador no território de Moçambique.
 
E Moçambique tem aqui uma autoridade moral inegável, porque é hoje claro que estes desastres naturais, que se repetem cada vez com maior intensidade e com maior devastação, têm muito a ver com as alterações climáticas. 
 
Ora, Moçambique praticamente não contribui para o aquecimento global, mas Moçambique está na primeira linha das vítimas desse mesmo aquecimento global.
 
E isso dá-lhe o direito de exigir da comunidade internacional uma forte solidariedade e um forte apoio, quer na resposta aos dramas criados pelas tempestades que assolam o país, quer na preparação do país na reconstrução e na preparação do país para as situações futuras.
 
E as Nações Unidas estiveram sempre ao lado do povo moçambicano, é verdade, dessa a primeira hora.
 
As agências das Nações Unidas encararam Moçambique como uma prioridade absoluta nesse momento, mobilizando o que de melhor tinham para poder estar ao lado do povo moçambicano e contribuir para aquilo que foi uma mobilização muito eficaz do governo e uma coragem extraordinária do povo, uma resposta extraordinária. E quero prestar homenagem ao povo e governo moçambicano pela resposta extraordinária que foi dada, em situações particularmente difíceis, mas com uma ação de emergência imediata e, depois, com uma ação humanitária profunda e agora lançando o processo de reconstrução e, ao mesmo tempo, daquilo que agora se chama resiliência, isto é, a capacidade das comunidades poderem estar armadas para no futuro poderem resistir melhor a estes dramas.
 
As Nações Unidas estiverem e estarão ao lado do povo moçambicano em todas estas fases.
 
Naturalmente apelando à comunidade internacional para que a comunidade internacional apoie o povo de Moçambique, apoie Moçambique à escala da dimensão dos problemas, quer de resposta, quer de reconstrução.
 
O apelo humanitário das Nações Unidas foi um apelo de US$ 282 milhões, esteve longe de ser inteiramente cumprido. Na conferência de doadores, o estado moçambicano solicitou 3,2 mil milhões de dólares e foram prometidos 1,2 mil milhões, se bem me recordo.
 
É evidente que vai ser preciso mais. Vai ser preciso mais ajuda, mais apoio da comunidade internacional a Moçambique para poder responder efetivamente. E não apenas mais apoio mas a concretização rápida dos apoios prometidos. E essa é uma outra questão decisiva em relação à solidariedade da comunidade internacional.
 
É preciso não apenas apoiar, mas apoiar a tempo.
 
Por outro lado, quero dizer que as Nações Unidas estão profundamente empenhadas em que o processo de paz em Moçambique tenha êxito.
 
As Nações Unidas apoiam, a fundo, o diálogo entre o governo e a RENAMO. E, tendo recebido a indicação por parte do Senhor Presidente de Moçambique, mas confirmada também por parte da RENAMO, que se considerava que a pessoa mais indicada para continuar a facilitar esse diálogo era o embaixador Mirko Manzoni, tive, naturalmente, imediatamente, pus-me à disposição do Senhor Presidente e de Moçambique e nomeei o e embaixador Mirko Manzoni como meu enviado pessoal para que ele possa continuar no exercício dessas funções de facilitador, criando, com isso, espero, melhores condições para o êxito do diálogo, que é uma condição fundamental para a paz e para a estabilidade de Moçambique. E sem paz é sempre difícil o desenvolvimento
 
Por outro lado, eu chego de Nairobi, onde realizámos a Conferência das Nações Unidas para África de Contraterrorismo e Prevenção do Extremismo Violento e tive a ocasião de manifestar ao Senhor Presidente de Moçambique a total disponibilidade da nossa unidade de Contraterrorismo e Prevenção do Extremismo Violento para colaborar, como estamos fazendo com diversos países africanos, com as autoridades moçambicanas, nomeadamente criando as condições para que, sobretudo as camadas mais jovens da população, possam ter uma ação positiva no combate ao extremismo, no combate à radicalização e não sejam vítimas desse mesmo extremismo ou dessa mesma radicalização.
 
E Moçambique pode contar, também aí, com o apoio total das Nações Unidas.
 
Senhor Presidente, uma vez mais, muito obrigado pela sua generosa hospitalidade e pode contar com a total solidariedade das Nações Unidas e pode também contar com a minha total solidariedade com Moçambique neste momento de extrema importância para o pais, saindo das enormes dificuldades causadas por estes terríveis temporais e encarando o futuro com empenhamento, com otimismo e com esperança.
 
[English translation]
 
Ladies and gentlemen, journalists, thank you very much for your presence and for your attention.
 
For me, visiting Mozambique is a matter of the heart. I was in Mozambique in the exercise of all the official functions I had. I was here as Prime Minister of Portugal, as President of the Socialist International, as High Commissioner for Refugees and, now, as Secretary-General of the United Nations. I was always received with great friendship, great warmth. I always felt at home, I always felt among friends, I would even say, among brothers.
 
This visit is very special, because it is a visit to clearly express solidarity – my solidarity, but above all the solidarity of the United Nations with Mozambique, with the Mozambican people and with their government, who have been in an extremely difficult situation, with the two cyclones that have had a devastating effect on the territory of Mozambique.
 
And Mozambique has undeniable moral authority here, because it is now clear that these natural disasters, which happen more often, with more intensity and cause greater devastation, have a lot to do with climate change.
 
Despite that, Mozambique does not really contribute to global warming, but it is at the forefront of the victims of global warming.
 
This gives [the country] the right to demand strong solidarity and strong support from the international community, both in the response to the drama created by the storms that plagued the country and in preparing the country for the reconstruction and preparation for future situations. The United Nations has always stood with the Mozambican people, that's right, since the first moment.
 
The United Nations agencies considered Mozambique an absolute priority, mobilizing the best they had to be with the Mozambican people and contribute to what was a very effective mobilization of the government and the extraordinary courage of its people, an extraordinary response. I want to pay tribute to the Mozambican people and their government for the extraordinary response, in a particularly difficult situation, with immediate emergency action, deep humanitarian action, and now launching the reconstruction process with what is now called resilience, that is, the ability of communities to be armed to better withstand these catastrophes in the future.
 
The United Nations is, and will be, with the Mozambican people in all these phases. Naturally, asking the international community to support the people of Mozambique, and support Mozambique [to address the] scale of the problems of both response and reconstruction. The United Nations humanitarian appeal was an appeal of $280 million and was far from being fully funded. At the donor’s conference, the Mozambican state requested $3.2 billion and was promised $1.2 billion, if I recall correctly.
 
It is clear more will be needed. More aid and more support will be needed from the international community in Mozambique to respond effectively. And not just more support, but the swift implementation of that promised support. That is another crucial issue, regarding the solidarity of the international community. We must not only support, but support on time.
 
On the other hand, I would like to say that the United Nations is deeply committed to ensuring that the peace process in Mozambique succeeds. The United Nations strongly supports the dialogue between the Government and RENAMO. Having received the indication from the President of Mozambique, also confirmed by RENAMO, that the best person to continue facilitating this dialogue would be Ambassador Mirko Manzoni, I, of course, immediately put myself at the disposal of the President of Mozambique, and have appointed Ambassador Mirko Manzoni as my personal envoy, so that he may continue in his capacity as facilitator, to create, I hope, better conditions for a successful dialogue, which is a fundamental condition for the peace and stability of Mozambique. Without peace it is always difficult to have development.
 
On the other hand, I come from Nairobi, where we held the United Nations Conference for African Counterterrorism and Prevention of Violent Extremism and I had the opportunity to express to the President of Mozambique the total availability of our Counterterrorism and Prevention of Violent Extremism unit to collaborate, as we are doing with many African countries, with the Mozambican authorities, in particular by creating the conditions, especially among younger members of the population, to take positive action fighting extremism, fighting radicalization and not being victims of extremism or radicalization. On that, Mozambique can also count on the full support of the United Nations.
 
Mr. President, once again, thank you very much for your generous hospitality. You can count on the total solidarity of the United Nations and also on my total solidarity with Mozambique, at this moment of great importance for the country, to come out of the enormous difficulties caused by these terrible times, and to face the future with commitment, optimism and hope.